Talvez, por isso, tenha invocado desde cedo com a ditadura da moda. Sentia-me incomodada, mas feliz. Afinal, tinha a consciência de que estava em meio a um exército de pessoas vestidas iguais. Nada contra os adeptos dos estilos clássico e casual, mas acho que da mesma forma que cada ser humano é único (quer melhor prova que a impressão digital?), deve ter o mínimo de estilo próprio e deixar a assinatura em seu visual, por meio de um mínimo detalhe, que seja.
Com o passar dos anos, descobri novas possibilidades de expressão e desde então os óculos escuros já começaram a fazer parte da minha história. Qualquer dia, conto esse capítulo. Até que em 1996, encontrei um novo amor: o mercado óptico. Pude, finalmente, colocar em prática toda a minha paixão e admiração pelo produto óculos e também pela moda. É um casamento muito bem-sucedido (coisa rara, hein!): o tempo passa e eu me apaixono cada vez mais.
E talvez pelo fato de ter um estilo tão próprio, consigo captar como podemos nos expressar através dos óculos. Felizmente, hoje há infinitas possibilidades, verdadeiro oásis para quem deseja deixar a sua marca. Os óculos são cada vez mais uma declaração pessoal de estilo e personalidade. Até mesmo para os mais discretos, há peças muito próprias, com detalhes que fazem a diferença.
Liberdade de expressão é tudo! E quando observo os óculos dos brasileiros, fico decepcionada com a enxurrada de três peças e fio de náilon. Por favor, não tenho nada contra esses estilos, apenas penso que foram muito popularizados, até pelo fato de serem bonitos e conferirem um look light. Mas a questão é que o mundo não se resume a fio de náilon e três peças! Há muitas opções, não apenas coisas loucas ou ultramodernas.
"Os óculos são cada vez mais uma declaração pessoal de estilo e personalidade. Até para os mais discretos, há peças com detalhes que fazem a diferença."
Imaginem se houvesse no Brasil uma convocação obrigatória para os usuários de três peças e fio de náilon? Não haveria lugar capaz de comportar tanta gente, tamanho o exército. Todos usam a mesma coisa, desperdiçando soluções estéticas mais interessantes e que confeririam mais personalidade a cada pessoa.
Pense nisso e seja você o primeiro a mudar: muita gente do mercado opta por esse modelito até porque tem medo de errar. Só que isso é básico demais para quem trabalha com óculos (e por isso deveria trabalhar de óculos, obrigatoriamente). Você tem de ser o primeiro a ousar e usar.
Você, profissional de balcão, vai ganhar muito mais experiência se resolver sair do lugar comum e orientar modelos mais originais para os consumidores. É muito cômodo vender sempre esse tipo de produto, as chances de errar são menores, mas as de aprender também. E mais: aquela peça básica, comum, o consumidor encontra em qualquer óptica. Se você se expressar, deixando a sua assinatura no rosto do cliente, obviamente com uma solução estética harmônica, vai conquistar sua fidelidade. Muitas vezes, para sempre.
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