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Amor é fundamental


Andrea Tavares é editora da View
Antes de ingressar no mercado óptico, minha familiaridade com o universo dos óculos resumia-se a gostar muito de óculos solares. Armação de receituário? Nem pensar! Sempre enxerguei muito bem, até que um dia, diante de uma tela de cinema, percebi que havia algo errado. O filme era Dick Tracy e eu estava muito feliz por assistir a mais uma película do meu ídolo número um: Madonna. Nada feito, pois rapidamente constatei que o mundo estava ficando embaçado demais ou então havia algo errado com a minha visão.
Madonna e seu personagem Breathless Mahoney ficaram para outra ocasião, porque mal consegui ver o filme. Dias depois, ouvi de um oftalmologista que estava míope. Rapidamente, optei pelas lentes de contato porque não queria usar óculos por nada. Havia dias em que meus olhos não aceitavam as lentes e eu, com -2,5D, saia à rua sem enxergar um palmo à frente do nariz. Enfim, logo depois, submeti-me à cirurgia para "resgatar" a minha visão.
Quando ingressei no mercado óptico, em 1996, a lição que tirei do episódio "Dick Tracy, minha visão embaçada e não gostar de óculos" é que felizmente podemos mudar de opinião. A miopia foi de fato embora, mas, alguns anos depois, a hipermetropia deu as caras. Tudo bem, porque agora sou uma feliz usuária de óculos. E não só isso: eu amo óculos!
E eu não aprendi a amar os óculos pelo simples fato de passar a escrever para uma revista de óptica. Tudo começou porque, ao entrar para a View, pude colocar em prática um princípio que permeia minha vida: amar o que se faz. E isso só foi possível porque encontrei e me encontrei em um setor que tem um tesouro muito especial. Diferente de outros segmentos, conheci muitos profissionais que amam o que fazem e se dedicam de corpo e alma ao ofício de fazer as pessoas verem melhor o mundo e - por que não? - um mundo melhor.

"O amor deve estar presente em cada par de óculos montado, em cada cliente atendido, em cada lente de contato adaptada, em cada pequeno ato. O amor é o melhor adubo para fazer crescer a semente do sucesso, da paz, da prosperidade e de um mundo melhor."

A melhor prova é que, além dos que escolhem atuar na óptica por livre arbítrio, há incontáveis casos de pessoas que aportaram no ramo meio que por acidente - eu, por exemplo - e dele não querem sair de jeito nenhum. Como já escrevi algumas vezes, deve haver no ar um "mosquitinho da óptica" que, após inocular seu "néctar", torna suas "vítimas" aficcionadas em óculos, lentes, visão etc.
Está bem, você pode até me dizer que esse discurso é lindo e que não passo de uma Pollyanna, a personagem do "jogo do contente" de Eleanor H. Porter, leitura obrigatória no século passado. Mas é assim que eu sinto esse mercado que, quando tiver real consciência de tal virtude, se sentirá muito mais forte para lutar pelo espaço que os óculos e os profissionais de óptica devem ocupar na sociedade brasileira.
O amor e a dedicação que cada um coloca no seu trabalho são valiosíssimos. Com eles, podemos conseguir coisas que o dinheiro ou o poder jamais obterão. É por isso que em cada par de óculos montado, em cada cliente atendido, em cada lente de contato adaptada, em cada pequeno ato, o amor deve estar presente. O amor é o melhor adubo para fazer crescer a semente do sucesso, da paz, da prosperidade e de um mundo melhor. "O resto", como se diz por aí, "a gente corre atrás".

umoutroolhar@yahoo.com.br



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