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Postura mental é tudo


Andrea Tavares é editora da View
Nas últimas semanas, tenho notado uma enxurrada de manchetes nos jornais e na tevê com um cunho superotimista e forradas de declarações de grandes empresários, ex-ministros e figurões dizendo que suas perspectivas para o país são as melhores para os próxi-mos meses. Não sou do tempo do milagre econômico, empurrado goela dos brasileiros no final dos anos 60 com a ditadura, mas o excesso de ótimas perspectivas me fez associar imediatamente uma coisa a outra.
Nada contra os otimistas de plantão, mas essa passagem me fez lembrar de uma história que li há al-guns anos e que acho genial. Tem tudo a ver com o que eu considero otimismo de verdade, algo que prefiro chamar de postura mental e que pode ser decisivo para o nosso sucesso. É o texto de um anúncio da Quaker nos Estados Unidos, publicado em 1958, mas que cai como uma luva em qualquer década, século ou mi-lênio: É a seguinte: Um homem vivia em uma pequena cidade, cuja principal via de acesso era a estrada que a cortava. E, na beira dessa estrada, vendia cachorros quentes. Não tinha rádio e, como não usava óculos para corrigir sua deficiência visual, mal podia ler jornais, mas, em compensação, seu cachorro quente era campeão. Para propagar as qualidades de seu produto, colocou um cartaz na beira da estrada, anunciando-o e ficou por ali, gritando para as pessoas que passavam: “olha o cachorro quente especial!”.

“A crise está na cabeça de cada um e postura mental é fundamental para combater a onda de pessimismo e mau humor e que às vezes se abate à nossa volta.”


Foi um sucesso. Aumentou os pedidos de pão e salsicha, conseguiu mandar seus filhos para a cidade grande para que estudassem em boas universidades e também juntou dinheiro para abrir uma superbarraca de hotdog. Tudo ia muito bem, até que seu filho, recém-formado, voltou para casa para ajudar o pai a tocar o ne-gócio e, espantado com o movimento, comentou: “papai, o senhor não tem ouvido o rádio? Não tem lido os jornais? Há uma crise muito séria e a situação internacio-nal é perigosíssima!”.
O pai, então, pensou: “meu filho fez faculdade, ou-ve rádio e lê jornais, portanto, deve saber o que está dizendo”. Diante disso, decidiu reduzir os pedidos de pão e salsicha, tirar o cartaz da beira da estrada e deixar de apregoar a qualidade dos seus cachorros quentes.
Nem é preciso dizer o que aconteceu com esse comerciante campeão após dar ouvidos ao pessimismo do filho: as vendas caíram vertiginosamente e o pior é que ele se convenceu de que a crise era muito séria.
Essa fábula contempo-rânea me deixa muito claro o quanto é importante acre-ditar. O quanto é importan-te ter uma postura mental positiva e fazer do bom hu-mor o seu irmão gêmeo. Acreditar em si mesmo, nos seus talentos, na qualidade do produto que ven-de, na sua equipe, na sua empresa etc. A crise está na cabeça de cada um e a postura mental é fundamental para combater a onda de pessimismo e que às vezes se abate à nossa volta, nos fazendo desanimar de nossos projetos. A nossa mente é muito poderosa e nos condiciona para o fracasso ou o sucesso.
Vejam que o homem era um “marqueteiro” de primeira em uma pequena cidade, sem nem sonhar o que era marketing e não somente tratou de oferecer um produto de qualidade mas também anunciá-lo por meio de um cartaz na beira da estrada e de sua voz a apregoar as qualidades hotdog. Antes de tudo, porque ele acreditava em si mesmo e no que vendia. Pense nisso e não se deixe levar tão facilmente pela idéia de crise! Aliás, que crise?

umoutroolhar@yahoo.com.br



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