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Assuntos Técnicos em Foco
Sintonia fina
Um espaço destinado exclusivamente a temas técnicos. É a estréia da seção High-tech, com um artigo do óptico francês Eric Gozlan sobre lentes unifocais asféricas, produto que se firma no mercado como solução estética principalmente para portadores de médias e altas dioptrias, aliando conforto e qualidade visual à menor espessura e provando que óculos pesados e grossos são coisa do passado.
A indústria óptica investe continuamente em tecnologia para assegurar o fim do grande temor dos usuários de óculos que tenham a mínima preocupação com a sua aparência: lentes grossas, do tipo fundo de garrafa, também conhecidas pelo “efeito lupa” que causam.
Há alguns artifícios para obter uma lente com um ótimo resultado estético:
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Elipse de Tscherning

O gráfico de Tscherning até hoje dita as regras na escolha da curva-base em lentes esféricas
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como aumentar o índice de refração (ou mudar o tipo de material) ou mesmo diminuir a curva-base, usando uma curvatura externa mais plana.
Enquanto o aumento do índice traz grandes benefícios estéticos e maior conforto, aplanar a base inevitavelmente resulta em aberrações ópticas, evidenciando as diversas restrições das lentes unifocais esféri-cas clássicas.
No entanto, graças aos esforços tecnológicos da indústria, essa situação, quase um beco sem saída, se resolveu com a introdução de uma nova geração de lentes unifocais: as asféricas.
A evolução das lentes - Uma lente unifocal esférica nunca é perfeita e apresenta aberrações que podem incomodar e dimi-nuir a acuidade visual do usuário, como o astigmatismo marginal e o erro esférico. O astigmatismo marginal ocorre quando um feixe de luz atravessa em um ângulo oblíquo à superfície da lente, criando na sua periferia um efeito óptico comparável ao de uma lente cilíndrica, e causa visão “borrada”.
Já o erro esférico se deve a uma refração desigual entre o centro e a periferia da lente, e se define pela não focalização da imagem na retina quando o usuário olha através dessa região periférica, afetando também a acuidade visual. É possível otimizar uma das aberrações em lentes unifocais esféricas, porém não há como diminuir as duas simultaneamente.
O princípio para produzir estas lentes esféricas otimizadas foi demonstrado pela primeira vez no início do século passado, pelo estudioso dinamarquês Marius Tscherning. Consiste no cálculo das curvas externas e internas da lente em função do grau total, que pode variar entre –24.00D e +7.00D, resultando em duas curvas-bases ideais, representadas em gráfico através das elipses de Tscherning.
Por exemplo, uma lente orgânica esférica de índice de re-fração 1.502 de +2.00D poderá ter curva-base de 17.00 ou 8.00 - apesar de a segunda solução resultar em uma lente mais plana, a curva-base ainda fica muito alta e a lente perde em qualidade estética. Na tentativa de aplanar a lente, compromete-se a quali-dade óptica e há ainda o risco de surgirem fortes aberrações.
Em resumo, vários problemas cercam a concepção de lentes esféricas comuns: nem todas as aberrações podem ser corrigidas, as lentes otimizadas ficam muito curvadas, sem falar na limitação de opções (não existem acima de +7.00D).
Suave mudança de grau - A solução para associar estética e qualidade visual veio na forma das lentes asféricas. O termo “asférico” vem do grego e significa, simplesmente, “não esférico”. Uma superfície asférica é uma superfície simétrica que gira ao redor de um eixo principal, sobre o qual o grau varia gradativamente do centro até a periferia da lente. A mudança de grau é tão fraca que uma lente asférica tem quase o mesmo aspecto do que o de uma lente esférica.
Graças à asfericidade, as lentes podem ser mais planas, finas e leves, além de garantir excelente performance óptica, algo valioso especialmente na correção das hipermetropias médias e altas. Finalmente, os fabricantes libertaram-se das limitações das curvas-bases determinadas pelas elipses de Tscherning.
Os princípios da asfericidade - Em uma superfície frontal asférica, o astigmatismo marginal e o erro esférico são corrigidos à medida que se cria na face externa da lente um astigmatismo de superfície calculado para neutralizar as aberrações. Essa técnica é muito eficaz para aplanar lentes positivas sem induzir aberra-ções, e pouco interfere em lentes negativas, naturalmente planas.
A asfericidade permite também obter lentes mais finas, reduzindo a espessura. O princípio para diminuir a espessura re-sume-se a mudar a curvatura da lente em suas zonas periféricas, região que não requer visão total pois são pouco percorridas pelo olhar.
Em uma lente convexa, a periferia da face externa é aplanada reduzindo-se a flecha frontal (ou sagital) sem que a curva-base seja alterada e aproximando-se a face posterior da anterior. Assim, a espessura do centro ficará reduzida, e a lente será mais fina e leve. Nas lentes negativas, a asfericidade consiste em um aumento da curvatura na periferia da face posterior ou anterior a fim de reduzir a espessura de borda.
Benefícios garantidos - As lentes asféricas envolvem tecnologia de ponta, desempenham um papel importante no mercado óptico e apresentam argumentos de venda consistentes.
São fundamentais quando se trata de hipermétropes, público que terá benefícios como excelente performance visual, conforto, beleza com lentes mais planas e finas e até mesmo aumento do campo de visão em alguns casos de altas dioptrias.
Para míopes, a asfericidade confere resultados em conforto, pois as lentes são mais leves, e estética, já que a espessura de borda é reduzida. Vale ressaltar que, associadas ao tratamento anti-reflexo, oferecem vantagens estéticas ainda maiores.
Comparação entre lentes esféricas e asféricas de +6.00 D (n=15)

Lentes bem mais finas são o sonho dos usuários de óculos
Cuidados especiais na tomada de medidas
Para que o usuário tire melhor proveito dos benefícios das lentes asféricas, a tomada de medida deve ser rigorosa, e de forma diferente da de lentes esféricas. Pela asfericidade, a curvatura frontal varia do centro até a periferia da lente. Isso significa que, ao medir com um lensômetro a periferia da lente, a imagem perde a nitidez, como se fosse uma lente cilíndrica. O caminho para medir corretamente uma lente asférica é posicionar o foco do lensômetro no centro óptico da lente.
O eixo óptico da lente deve coincidir com o centro de rotação do olho, por isso é necessário tirar uma altura além da distância naso-pupilar (DNP) monocular. Tanto na visão para longe quanto para perto, deve-se levar em conta a inclinação da armação, que varia geralmente entre 8º e 10º. Assim, o centro óptico deve ser descentralizado de 4 milímetros a 5 milímetros abaixo da pupila. Em regra geral, a descentralização vertical equivale à inclinação da armação dividida por dois (D =a/2).

A atenção na tomada de medidas é fundamental
Eric Gozlan é óptico
hightechrevistaview@yahoo.com.br
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