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A mensagem do óptico e físico João Dantas
O que os olhos vêem, o corpo sente
O ditado é um pouco diferente do que escrevi no título, mas a verdade é que o corpo é muito influenciado pela visão. A nossa percepção e todo o nosso metabolismo são afetados por o quê e como as coisas chegam aos nossos olhos. |
 João Dantas é óptico e físico
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Daí para concluir que as deficiências ou limitações visuais também interferem no comportamento e no corpo do ser humano, é um pulo. O porém é que os sintomas provocados nem sempre são conhecidos ou identificados como causas dessas deficiências. Isso gera duas si-tuações: a falta de correção do problema, isto é, a ametropia, e a tentativa de remediar apenas os sintomas. Vamos ver o que ocorre, caso a caso.
Hipermetropia
Na juventude, a hipermetropia não se manifesta pela baixa acuidade visual, mas por sintomas como sonolência, indisposição, preguiça e dispersão. Se o hipermétrope não corrigido for obstinado e insistir em tarefas que exijam visão apurada, os sintomas se ampliarão para dores de ca-beça, enjôos e tonturas. A culpa dos sintomas acabará caindo sobre o sistema digestivo, o stress, a falta de sono e por aí vai, podendo levar a pessoa ao uso compulsivo de analgésicos.
“Daí para concluir que as deficiências ou
limitações visuais
também interferem
no comportamento
e no corpo do ser humano, é um pulo.
O porém é que os
sintomas provocados nem sempre são
conhecidos ou
identificados como causas dessas
deficiências.”
Astigmatismo
O astigmatismo, por sua vez, provoca uma sintomatologia bem peculiar, que pode ser acentuada quando o mesmo é contra-regra (eixos verticais). Quando não corrigido, é comum que as pessoas portadoras dessa deficiência visual tenham alta sensibilidade à luz (fotofobia) em função da formação de uma zona focal que dificulta a acomodação. Ocorre também a perda da visão holística uniforme, isto é, da compreensão visual do todo, e, conseqüentemente, surgem dores de cabeça constantes, enjôos, stress elevado, impa-ciência e intolerância.
Presbiopia
Conhecida popularmen-te como vista cansada, provoca o que chamam de “síndro-me do braço curto”. Brinca-deiras à parte, a deficiência que exige óculos depois dos 40 anos provoca sonolência e indisposição toda vez que a visão for mais exigida, principalmente em ambientes me-nos iluminados.
Miopia
A fatia de portadores de deficiência visual que classifico como a mais exigente tem sintomas proporcionais ao grau da miopia. As pessoas não corrigidas são figuras assumidamente diurnas, não gostam da noite e encontram mil e uma justificativas para evitar prolongar as atividades noturnas. A falta de luz reduz ainda mais os seus horizontes, acentuando a sua timidez e aguçando a sua desconfiança. Míopes com altas dioptrias e escavação papilar, apresentam também hipersensibilidade, dores de cabeça, irritabilidade e intolerância.
Efeito cascata
A associação das ametropias também leva ao acúmulo dos sintomas. A fórmula para evitar essas conseqüências é simples: visitar sempre o especialista da visão e usar esses maravilhosos recursos correto-res, protetores, e também charmosos, nossos tão queridos óculos.
“Considero funda-
mental um alerta
especial para pais
e professores.
As crianças depen-
dem inteiramente
deles para que possam, se necessário,
ter a visão corrigida
o quanto antes.
A avaliação da acuidade visual é
indispensável, pelo menos a partir
dos sete anos,
mesmo sem nenhum sintoma aparente.”
O que os olhos não vêem o coração não sente
Agora, assim, é o ditado como todos conhecemos. Ele tem seu fundo de verdade se considerarmos que é difícil saber como é o que não conhecemos. Isto é, uma criança míope não sabe que está enxergando mal, pois não imagina o que é enxergar bem.
Essa ilusão de não haver problema, porém, não deve tomar conta da situação, já que cedo ou tarde todos aqueles sintomas descritos na primeira parte do texto irão aparecer.
Por isso, considero fundamental um alerta especial para pais e professores. As crianças dependem inteiramente deles para que possam, se neces-sário, ter a visão corrigida o quanto antes. A avaliação da a-cuidade visual é indispensável, pelo menos a partir dos sete anos, mesmo sem nenhum sintoma aparente.
Uma criança com hipermetropia baixa ou média, por exemplo, tem os sintomas mascarados pela alta capacidade de acomodação, ficando visível apenas a dificuldade de concen-tração e a tendência do pequeno de não desenvolver bem as tarefas que exijam maior aplicação visual.
Além do exame de vista para detectar se existe alguma ametropia a ser corrigida, é importante também avaliar a visão binocular, realizar teste de campo visual e outros exames, já que a criança não saberá explicar se tem alguma dificuldade de enxergar.
Se não forem corrigidos na infância, os casos de estrabismo podem acarretar a perda definitiva da visão binocular e as patologias assintomáticas (que não a-presentam sintomas), como a retinoplasmose, que, se não for detectada, a tempo pode levar à cegueira total.
Relato agora várias provas de que o coração pode sentir - e muito - o que os olhos não vêem:
A hipersensibilidade à luz pode ter como causa a presença de astigmatismo.
O efeito azulado co-nhecido como cianopsia que acomete alguns afácicos (que passaram por cirurgia de catarata) pode ser rescaldo do processo pós-operatorio e é facilmente resolvido com um filtro corretor de tonalidade marrom.
E as rugas? Perguntem às mulheres se o coração delas não sofre com as rugas? Pois é, elas são as conseqüências da falta de proteção contra os raios ultravioleta, facilmente minimizadas ou retardadas pelo uso de bons óculos escuros.
Até como aparelho contra a surdez os óculos ser-vem. É verdade, já ouvi vários casos de pessoas, em especial as que têm altas dioptrias, que dizem não ouvir bem sem seus óculos.
Tive uma cliente com um caso interessantíssimo. Ela não conseguia dormir bem sem seus óculos, pois, além de não enxergar, não ouvia nada. Precisei preparar um par de óculos próprios para que ela pudesse dormir. A solução foi aviar a receita para uma peça especial de natação com apoio frontal de silicone, para que lhe desse conforto enquanto dormia. Depois disso, a cliente pôde dormir feliz e até sonhar. De óculos, é claro!
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