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Especial Mido 2010
Mido aos 40

No ano em que completa quatro décadas de existência, a feira italiana se consolida no mês de março, diminui sua duração dos tradicionais quatro para três dias e é agente de um mercado que vai se estabelecendo sob uma nova ordem. E os resultados finais apontam para a definitiva recuperação da economia após a crise do ano passado.
Texto e fotos Andrea Tavares
Colaboração Sabrina Duran

Definitivamente, ficar mais velho tem seus benefícios. E isso vale até para a Mostra Internazionale di Ottica, Optometria e Oftalmologia, mais conhecida como Mido, cuja edição de número 40 se realizou de 5 a 7 de março, nos pavilhões da Fieramilano Rho-Pero, em Milão. Ao revolucionar o calendário mundial das feiras do setor em 2009, adiantando em dois meses a sua realização, para o começo de março, após ter sido realizada por exatos 38 anos sempre no mês de maio, neste ano trouxe outra novidade de peso: apenas três dias em vez dos tradicionais quatro – essa sem dúvida foi uma atitude sábia, já que o quarto dia era sinônimo de corredores vazios e muitos expositores desmontando stands antes do término oficial da feira.

Visitação - Pelo segundo ano consecutivo, a organização da feira divulgou que 42 mil profissionais circularam pela Mido em 2010, o que aumenta a média diária de público a partir do momento que o evento passou a se realizar em três dias em vez de quatro – a sexta-feira, primeiro dia, contabilizou uma elevação de 27,5% no total de visitantes. Outro destaque também foi o crescimento de 5,5% na quantidade de visitantes estrangeiros. Em relação ao ano passado, era visível o aumento de público e o ânimo das pessoas. Por se tratar da primeira vez que ocorria em março, parecia que o inverno era o culpado por uma feira tão mais séria e constrita, já que até a cidade respirava um ar muito sisudo. Mas este ano, apesar do frio muito mais rigoroso que em 2009, tudo era diferente: Milão já tinha outra aparência, outro espírito e a o ânimo do evento era outra, sinal de que a grande questão era mesmo a crise econômica.

Sinais na área de exibição – Se em 2008 houve recorde de área com 54 mil metros quadrados, em sete pavilhões, no ano passado a feira ocupou seis e agora, em 2010, resumiu-se a cinco, mantendo o mesmo número de expositores – cerca de 1,1 mil empresas de 44 países diferentes. Os organizadores falam sobre a opção por uma feira mais compacta, tornando-se algo mais confortável para o público, que precisam se deslocar de um lado para o outro para visitar seus fornecedores e conhecer novos produtos e tecnologias. Sem dúvida, é um conforto ter um evento mais compacto, a circulação pelos pavilhões fica mais fácil e ganha-se tempo, mas essa “compactação” pode indicar outras coisas.

Essa é uma evidência de que uma nova ordem está se impondo no mercado e esse movimento é mundial – como diria o ditado popular “vento que venta lá, venta cá”. O fato é que as feiras não são mais o polo agregador de negócios que eram no passado. Não necessariamente que estejam perdendo a força ou coisa que o valha, mas, na última década, grandes corporações e parte do varejo se profissionalizaram e suas relações passaram a ser determinadas por outras práticas comerciais, como contratos anuais com entregas programadas, isto é, para uma fatia do mercado, as compras não dependem mais de um evento como a feira para serem feitas.

Além disso, nesse estreitamento de relações e com a cultura de que não é preciso apenas satisfazer o cliente, mas encantá-lo, muitas empresas partiram para a realização de eventos exclusivos, de forma paralela às feiras ou em outros momentos. Outros abriram espaços onde recebem seus clientes diariamente, com um fluxo contínuo. E tudo isso, sem dúvida, gerou um novo movimento no mercado e ainda não se sabe exatamente qual será o final disso. Ou, na verdade, se haverá um final, porque com a rapidez dos tempos de hoje, tudo se atropela e ocorre ao mesmo tempo agora.

Mais uma prova disso é a dimensão de stands de empresas como Luxottica e Safilo na Mido deste ano. Grosso modo, a primeira deve ter reduzido cerca de dez vezes a sua área de exposição, montando um stand exclusivo de Persol sem a exposição de quaisquer outras marcas de seu portfólio. Já a segunda, de quatro grandes ilhas que ocupava tradicionalmente ano após ano, ocupou menos da metade de uma dessas ilhas para construir um stand que era uma garagem de Carrera. A Marcolin também já havia diminuído consideravelmente o seu espaço no ano passado e a Allison fez o mesmo este ano (adeus ao belo jardim de óculos gigantes que adornava a feira). Curiosamente, uma empresa estrangeira, a norte-americana Marchon – é a que teve a maior área de exibição dentre as fabricantes de óculos na feira italiana.


A face social em foco – Outro destaque foi a campanha I am with Mido (do inglês, “eu estou com a Mido”), que contou com líderes de grandes empresas de óptica do mundo como garotos-propaganda, estampando seus rostos nos anúncios, para doar € 1 em nome de cada pessoa que passasse pelos pavilhões da FieraMilano para a CBM Italia, organização filantrópica que se dedica à prevenção de Avitaminose A, deficiência visual causada por falta de vitamina A que atinge 250 milhões de crianças no mundo. A campanha foi lançada na edição do ano passado com a apresentação das peças publicitárias para a Mido deste ano e, em um ano, arrecadou € 40 mil, revertidos para as crianças portadores da doença na Etiópia.

O Design Lab é o lugar – Com a redução de espaços, o Design Lab, a incrível área que congrega todos os visionários da óptica mundial, ficou mais integrada à feira. Continuou com decoração e aparência diferentes em relação aos demais pavilhões da Mido, mas não estava tão isolada, gerando uma sinergia interessante entre os diferentes perfis. Por falar em decoração do Design Lab, um belo bar, no centro, fazia as vezes de lounge para os visitantes darem aquela paradinha para repor energias de uma forma muito agradável. Além disso, um segundo espaço que foi nomeado de Mido’s T-Bar (algo como o “bar de chá da Mido”, já que, em inglês, a pronúncia da letra “t” tem o mesmo som que a palavra “tea”, que é “chá”).

Além de servir chá, obviamente, a área era adornada por faixas plásticas gigantes que pendiam do teto, cada uma com o nome de cada empresa expositora do Mido Design Lab, de longe, o espaço mais belo da feira. Essa ideia seguiu o mesmo conceito de 2009, em que a entrada desse pavilhão tinha o nome de todos estampado no chão com a mesma tipologia no chão e uma ambientação meio planetária, como se estivessem orbitando em torno de um planeta - o “planeta óculos”.

Pelo fato de ser o maior point da feira, o Mido Design Lab teve seu horário de funcionamento estendido até as 22h no sábado. Mais que estimular os negócios, os descolados expositores promoviam uma espécie de happy hour em seus stands. Comprar e se divertir é a melhor combinação.


10, 20, 30, 40! – Para registrar a sua quarta década de vida, a Mido montou uma exposição com uma linha do tempo, mostrando em fotos um pouco de cada década – veja nas páginas 30 e 31 algumas dessas imagens.

Rumo aos 50 anos – Na manhã de 4 de março de 2011, quando abrirem-se os pavilhões, a Mido começa sua contagem regressiva para os cinquentinha. E se a primeira década do século 21 já foi acelerada, imagina o que está por vir na próxima. Então, prepare-se e anote aí na sua agenda (ou melhor, no seu celular, iPhone, notebook, iPad e por aí vai) que a edição 2011 da Mido será de 4 a 7 de março, repetindo o formato de três dias e de sexta-feira a domingo.





O refúgio às margens do lago de Como...

Durante a semana da Mido, a Luxottica promoveu mais uma edição de seus Buying days (do inglês, algo como “dias de compra”), evento em que recebe clientes de todos os lugares do mundo algumas vezes do ano para verem os lançamentos da empresa em primeira mão. E o cenário não podia ser melhor: às margens do lago de Como, cidade a cerca de uma hora de Milão, no espaço de eventos de Villa Erba, palácio que, no passado, teve como morador o cineasta italiano Lucchino Visconti, autor de obras-primas como O leopardo e Morte em Veneza, entre outras.


 
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