:: Galeria :: Dezembro de 2008

  editora da View e maníaca por óculos

Um outro olhar
Limpe o seu olhar

Tudo começou uns três anos atrás em um mês de dezembro. Coisas de quem divide sala e passa muito tempo junto - afinal, a gente fica mais tempo no trabalho que em casa. Nesse dia, aqui na redação, diante de uma decisão radical ou um comentário ácido, a gerente comercial Debora Alves falou com um tom bem humorado e apaziguador: “é Natal, olha o papai noel, deixa disso…”. Não precisou muito para que isso se tornasse uma piada interna entre a gente. Independentemente da época do ano, volta e meia, alguém soltava um “é Natal…” para descontrair o ambiente. Este ano, diante do primeiro “é Natal…” de dezembro, a secretária de redação Cristiana Brito acrescentou um “ho ho ho”, pedindo emprestado do bom velhinho o seu “grito de guerra”.

Isso pode soar apenas como brincadeira, mas no fundo foi um exercício que me ajudou a pensar duas vezes sobre algumas situações e, quem sabe, ter uma percepção mais elaborada ou diferente da primeira em um segundo momento. Coincidentemente, tempos depois do primeiro “é Natal”, fui apresentada à prática do olhar estrangeiro, um exercício de olhar para a vida e as pessoas sempre como se fosse a primeira vez, sem vícios e crenças. Aliás, exercício para a vida inteira que, de início, soa como algo surreal e impossível, mas, com certa disciplina e firmeza, traz bons resultados.

O melhor dessa prática não é apenas perceber que fulano não é tão confuso assim, que sicrano até que é gente boa e por aí vai, mas se ligar como a gente começa a se desarmar e abre um pouco mais espaço para as surpresas. E falo de surpresa como aquilo que fascina e pode mudar uma vida, um relacionamento, um negócio.

Com isso, terá mais contato com você mesmo. Afinal, a gente vai crescendo, passa por poucas e boas, acha que se armar e desconfiar de tudo é o melhor para ser bem-sucedido na vida mas, no fundo, isso é medo disfarçado. Traveste o medo de poder e quer controlar, controlar e controlar. Sem dúvida, a gente precisa aprender com as experiências, mas não dá para controlar tudo. Ou melhor, não dá para controlar quase nada.

Por exemplo, o atendimento na loja. De uns 15 anos para cá, o mundo começou a dizer que não basta satisfazer o cliente, é preciso surpreendê-lo, encantá-lo. Concordo em gênero, número e grau com essa afirmação, até pelo fato de que todo mundo deve se esforçar para fazer o melhor. Que tal exercitar esse “estrangeirismo” no olhar para começar a se surpreender mais? Garanto que se você der alguns passos nesse sentido, também será muito mais hábil em surpreender seus clientes.

Esse olhar mais limpo pode ajudá-lo a enxergar até a sua loja com outros olhos. E a sua equipe, o seu concorrente e o mercado como um todo. Para isso, reflita sobre todos aqueles conceitos preestabelecidos que carrega com você e veja se não está na hora de livrar-se de todos ou vários deles e olhar para as questões de uma outra forma. Daí, podem vir muitas surpresas…

Reciclar o olhar é a palavra de ordem. Aparentemente, é muito fácil terminar uma história correndo e descartar algo que já não interessa só pelo medo, o orgulho de dar uma segunda chance ou a preguiça de esfriar a cabeça e olhar com outros olhos. É o famoso varrer para debaixo do tapete, porque, em geral, dessa forma não se resolve as coisas de fato, apenas corta-se o caminho, o que pode causar um lixo emocional difícil de administrar no futuro.

Esse movimento também é uma forma interessante de sair um pouco do seu mundinho e aguçar a percepção para entender o que move os outros e sintonizar a freqüência das pessoas. Com isso, sua comunicação vai ser muito mais eficiente e terá você terá relações mais saudáveis, não tão baseadas apenas na força do ego.

Pense nisso e, quem sabe, na famosa lista de resoluções de ano novo, inclua essa nova possibilidade. Desejo-lhe sucesso e surpresas incríveis, sempre!

 
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